19 de maio de 2011
Os manipulares telescópicos se popularizam no mercado brasileiro diante da demanda por produtividade em obras com processos altamente industrializados
Em meio à grande quantidade de máquinas e trabalhadores mobilizados numa construção civil, quem visitasse um canteiro de obras há alguns anos dificilmente encontraria um tipo de equipamento que, atualmente, torna-se cada vez mais popular no País. Diante da crescente mecanização dos processos de construção, impulsionada pela demanda por maior rentabilidade e pelo cumprimento de prazos mais apertados, os manipuladores telescópicos, também conhecidos como telehandlers, conquistaram definitivamente seu espaço nas aplicações de movimentação de cargas em obras de engenharia.
A tendência é confirmada pelo estudo do mercado brasileiro de equipamentos que a Sobratema atualiza anualmente. Segundo o levantamento realizado pela associação, em 2010 o consumo de manipuladores telescópicos no Brasil cresceu a uma taxa de 167% em comparação com o ano anterior, índice inferior apenas à expansão da demanda de plataformas aéreas (233%) e de caminhões fora-de-estrada (200%), entre as demais famílias de equipamentos pesquisadas.
Os principais fabricantes desse tipo de equipamento são unânimes em apontar o programa “Minha Casa, Minha Vida”, criado pelo governo Federal para combater o déficit habitacional do País com a construção de um milhão de moradias para famílias de baixa renda, como a principal razão para essa mudança de comportamento. Além disso, as inúmeras obras de infraestrutura em execução e a expansão do mercado imobiliário também vêm contribuindo para o aumento na demanda de manipuladores.
Segundo Nei Hamilton, diretor comercial da JCB do Brasil, as projeções otimistas a curto e longo prazo estão diretamente associadas aos ganhos de produtividade e de segurança que esses equipamentos proporcionam à movimentação de cargas. “Eles estão sendo muito utilizados em obras de construção civil de médio e grande porte, em substituição ao uso de elevadores elétricos, andaimes e outros equipamentos menos seguros para a construção de prédios de até cinco andares”, diz ele. “A obra torna-se financeiramente mais vantajosa”.
O gerente de marketing da New Holland, Nicola Darpino, segue a mesma linha de raciocínio e atribui a popularização dessas máquinas à industrialização dos processos construtivos, que vem transformando cada vez mais a obra de uma edificação numa montagem sequencial das estruturas. “Além de versáteis, esses equipamentos se deslocam rapidamente dentro do canteiro, facilitando o transporte de materiais paletizados, como tijolos e blocos, e sua distribuição nos locais que serão utilizados, inclusive em áreas de difícil acesso”, ele afirma.
Divergências conceituais
Os fabricantes de manipuladores telescópicos pautam o desenvolvi-mento de seus produtos em dois conceitos distintos. Enquanto os competidores dos Estados Unidos apostam em equipamentos com mecânica robusta e menos conteúdo eletrônico, os modelos europeus se caracterizam pela maior sofisticação proporcionada por inovações tecnológicas. Nesse cenário, a origem norte-americana da Terex Latin America não a impede de apostar também no conceito europeu para ampliar a competitividade de seus modelos no mercado brasileiro.
“Comercializamos equipamentos com os dois conceitos no Brasil, mas os nossos modelos europeus, importados da Itália, são direcionados para o usuário final por meio de nossos distribuidores”, explica Raphael Cardoso, gerente regional de vendas da Terex. Ele diz que essa linha de manipuladores permite a fixação de vários tipos de implementos na ponta da lança telescópica, de garfos porta-pallets a caçambas para o transporte de concreto e outros materiais, possibilitando aos clientes uma ampla variedade de aplicações durante a obra.
De acordo com Cardoso, a empresa disponibiliza no mercado brasileiro modelos com alcance de até 17,3 m, mas a maior demanda se concentra nas máquinas de 13,5 m de alcance e 3,7 t de capacidade de carga. “No segundo semestre de 2011, vamos iniciar a comercialização no País do modelo GTH 5519, que trabalha com 6 m de altura de lança e 2,5 t de capacidade de carga”. Ele salienta que todos os equipamentos são dotados de motores Perkins e se destacam pela simplicidade na operação e manutenção. “Esse equipamento vem mudando o conceito e os processos construtivos no Brasil, facilitando toda a logística dentro da obra a fim de se evitar o desperdício de materiais.”
A empresa, segundo ele, comercializou 500 telehandlers em 2010, sendo que a maioria dos equipamentos está sendo entregue ao longo desse ano. “A Terex está crescendo muito nesse mercado e, até por isso, esperamos uma expansão mínima de 25% nesta linha em 2011”, diz ele. A projeção confirma a importância dessa linha para os negócios da fabricante norte-americana no país. “Esse mercado já representa 20% dos lucros da Terex.”
Aposta nas locadoras
O executivo cita o mercado de locação como outra fonte para o aumento no consumo de manipuladores telescópicos no País. “A fidelização das construtoras já consagrou o uso desses equipamentos em seus canteiros de obras, tanto que as oportunidades de expansão deste segmento estão fortemente ligadas às locadoras”, afirma Cardoso. Ele não deixa de ter razão. Uma das principais empresas brasileiras nessa área, por exemplo, a Solaris conta atualmente com uma frota de 400 manipuladores telescópicos.
Segundo Paulo Esteves, diretor comercial da locadora, esse parque representa 15% do total de ativos da Solaris, que conta ainda com plataformas aéreas de trabalho, grupos geradores e máquinas da linha amarela, em um total de 2.600 equipamentos. “Em 2010, a empresa duplicou a frota de telehandlers em comparação ao ano anterior, um crescimento muito superior ao registrado na família de plataformas aéreas”, ele afirma. Um aporte de US$ 20 milhões deverá ampliar a participação desses equipamentos no total de ativos da empresa. “A meta é dobrar novamente a frota este ano.”
A Solaris dispõe de cinco modelos, com alcance de 5 a 17 m e capacidade de carga entre 2,5 e 5 t, que são dotados de sensores para evitar overload e operações que coloquem em risco a integridade do operador. Além disso, os telehandlers da sua frota são dotados de transmissão hidrostática e de módulo central, cuja função é gerenciar todo o funcionamento do equipamento. “Essas tecnologias agregam segurança e maior durabilidade aos manipuladores”, explica Esteves.
Diversidade de acessórios
Outra locadora desse segmento que está investindo na ampliação da frota é a Mills. Seu objetivo é chegar ao final deste ano com um parque de 1.000 manipuladores telescópicos, o que exigirá um aporte de US$ 80 milhões ao longo de 2011. A expectativa de crescimento da Mills para a sua divisão de locação é exponencial, a ponto de a empresa ter antecipado a compra de 400 manipuladores para entrega no decorrer deste ano.
A Mills oferece seis modelos para locação no mercado brasileiro, com altura de trabalho que varia de 12 a 17 m e capacidade de carga entre 3 e 4,5 t. Os carros-chefes são os modelos 8042, da JLG, e GTH 844, da Genie. Entre outras características, a empresa destaca que os equipamentos possuem pneus sólidos, que permitem aplicação em qualquer terreno, são dotados de cabine fechada e de motor com baixa emissão de poluentes.
Ela ressalta ainda que o grande atrativo desses equipamentos é a possibilidade de utilização de diversos tipos de acessórios, como garfos porta-pallets, cestos, funil para transporte de concreto, caçamba e outros, proporcionando maior versatilidade e redução de custos nos canteiros de obras. Com isso, os telehandlers substituem com vantagens outros equipamentos em obras residenciais e industriais, tais como empilhadeiras, carregadeiras, guindautos, dumpers, guindastes e andaimes.
Rapidez na operação
A JCB, por sua vez, que afirma deter a liderança no mercado mundial de manipuladores telescópicos, com uma participação de 34% nas vendas globais, disputa o mercado brasileiro com dois modelos de manipuladores telescópicos. Um deles é o 535V125, com alcance de 12,3 m e capacidade de carga de 3,5t, que vem equipado com motor de quatro cilindros, com 85 HP de potência. O outro é o 540-170, que trabalha com alcance de 16,7 m e capacidade de 4t.
“Esses equipamentos são dotados de um sistema combinado de motor e transmissão, com menor raio de giro e direção nas quatro rodas, permitindo que a máquina faça manobras em espaços reduzidos”, afirma Nei Hamilton. Além disso, ele ressalta que os telehandlers são equipados com estabilizador dianteiro para oferecer maior resistência no carregamento de materiais.
Segundo o executivo, o modelo 540-170 chega ao país com três opcionais de acessórios: garfo, caçamba de 1m³ e plataforma aérea. Com a utilização desse último, o equipamento pode elevar duas pessoas a uma altura de até 17 m, dispensando o uso de guinchos e andaimes. “Isso confere mais segurança à operação”, diz ele. “Além disso, o profissional que está na plataforma é quem controla a operação, por meio de controle remoto, proporcionando maior praticidade e rapidez ao serviço.”
Comercializados na faixa de preço de US$ 195 mil, os equipamentos da JCB atingiram uma participação de 7% do mercado brasileiro em 2010, segundo Hamilton, com a venda de 50 unidades. “A meta é dobrar esse número em 2011.” Segundo ele, a expansão desse mercado passa pela evolução das condições e necessidades enfrentadas nos diversos canteiros de obras. “No passado, as valas das redes de água e esgoto eram abertas manualmente e sua execução evoluiu para a utilização de retroescavadeiras e escavadeiras hidráulica, assim como os trabalhos antes realizados manualmente ou por engenhos menos seguros e eficientes passaram a empregar os manipuladores.”
Novos modelos
Para se posicionar na disputa por esse segmento de máquinas, a francesa Haulotte anunciou um incremento no seu portfólio de produtos com o lançamento dos modelos HTL 4010, HTL 3210 e HTL 3510. Eles chegam ao mercado mundial para competir com equipamentos cuja lança tem um alcance de 10 m durante a operação, atendendo à faixa de capacidade de carga entre 3,2 e 4 t. Segundo Carlos Hernandez, gerente geral da empresa, o braço desses manipuladores dispõe de uma cilindro integrado, que proporciona maior visibilidade ao operador e facilita a manutenção.
“Os modelos 4010 e 3210 estão equipados com estabilizadores que se desdobram e respeitam a largura da máquina de 2,26 m, permitindo a operação em terrenos acidentados e de difícil acesso”, diz Hernandez. O modelo 3510, por sua vez, é dotado de um eixo oscilante e de nivelador de chassi, o que facilita sua adaptação a terrenos irregulares. “Nesse caso, a mobilidade do manipulador é otimizada, tanto em termos de posicionamento como no tempo de deslocamento da máquina.”
O especialista afirma que os novos lançamentos se caracterizam pela maior precisão dos movimentos e conforto oferecido ao usuário, na medida em que eles são equipados com um sistema de transmissão hidráulica e com comandos por joystick. “Enxergamos as grandes locadoras do Brasil como um mercado promissor para comercializarmos nossos telehandlers, visto que essas empresas vão atender à crescente demanda do segmento da construção civil”, diz ele.
Os novos modelos da terceira maior fabricante de manipuladores telescópicos do mundo se juntam a linha de equipamentos já comercializada pela empresa no país, sendo que o menor deles conta com lança de 14 m e o maior, com alcança 17 m de altura de trabalho. “Com esse leque de opções, a Haulotte tem por objetivo crescer 20% nessa linha”, afirma Hernandez.
Outros mercados
A New Holland, outro fabricante com atuação no mercado, aposta que a popularização dos manipuladores telescópicos no País se dará também pela sua utilização em aplicações agrícolas, com a movimentação de insumos e mercadorias dentro das área de produção e armazenagem, como já ocorre na Europa. A empresa disponibiliza o modelo M428 ao mercado brasileiro, cuja lança trabalha em uma altura máxima de 12,8 m, com capacidade de carga na faixa de 3,6 t.
“Um grande diferencial desse equipamento é que ele possui uma alavanca única, proporcionando o controle total e completo por parte do operador, tanto do braço como da caçamba ou outros acessórios”, afirma Nicola Darpino, gerente de marketing da New Holland. Ele ressalta que outra característica marcante desse equipamento é seu sistema de transmissão Powershift 4×3, que facilita a mudança de velocidade e de direção com a máquina em andamento, sem mudança manual de marcha.
Equipado com motor de 106 HP de potência, o M428 conta ainda com um centro de gravidade baixo para deslocamentos mais rápidos e seguros. “Por conta de seu braço ser montado na parte posterior e de sua cabine ser bem ampla, o manipulador oferece uma visão de 360º para o operador”, explica Darpino. “Isso permite um posicionamento preciso do equipamento, mesmo quando seu braço está totalmente levantado ou quando ele trabalha em espaços estreitos.”
Diante desse cenário positivo, a fabricante tem como meta a comercialização de mais de 20 modelos em 2011, com crescimento de pelo menos 40% em comparação ao ano anterior, quando a empresa vendeu 14 telehandlers no mercado brasileiro. Os equipamentos, oferecidos pelo preço entre R$ 200 mil e R$ 250 mil, representam 3,5% dos negócios da New Holland. “O mercado brasileiro ainda está conhecendo esses equipamentos, entretanto, em virtude das inúmeras obras de infraestrutura em execução, esse mercado vai receber um grande impulso nos próximos anos”, conclui o executivo.