O cuidado com máquinas e com vidas humanas que delas dependem

29/08/2016

Plataformas aéreas - por que a escolha e utilização de máquinas devidamente mantidas é fundamental para garantir a segurança das vidas humanas, hoje mais do que nunca.

Eng. Arthur Lavieri


A adoção das normas NR-18 (Trabalho na Indústria da Construção) e NR-35 (Trabalho em Altura) tem contribuído para a melhoria das condições de segurança dos trabalhadores sujeitos a estas condições, mas de forma muito lenta ainda.

Em 2015, mais de 2500 pessoas morreram em acidentes de trabalho no Brasil, segundo o Ministério da Previdência Social. A OIT – Organização Internacional do Trabalho aponta que 40% foram ocasionadas por quedas de alturas superiores a 2m. São mais de 1000 mortes/ano ou quase 5 por dia útil de trabalho. Os custos anuais ao país e aos empregadores são de R$ 950 milhões. São mais de 140.000 ações ajuizadas contra empregadores todos os anos.

  

Não bastasse este quadro caótico de prejuízos, estes dois últimos anos de crise tem revelado mais um problema: a baixa qualidade da manutenção das máquinas utilizadas para a execução dos trabalhos em altura, especialmente as plataformas aéreas. Como qualquer máquina de grandes dimensões, as plataformas (ou PTAs) demandam cuidados especiais conduzidos por técnicos treinados. A PTA é composta por complexos sistemas mecânicos, eletrônicos e hidráulicos que precisam de manutenção especial.

O desgaste de uma PTA varia com o tipo de uso, horas de utilização, ambiente, nível de poluição, qualidade do combustível, entre outros. Mesmo antes da crise atingir o país e as empresas, já se notavam deficiências nos processos de manutenção deste tipo de máquina. O problema é ainda mais grave quando se observa que as empresas que contratam os trabalhos em altura ou alugam este tipo de máquinas são descuidadas (e irresponsáveis em alguns casos) com as especificações de uso, demandas e verificações que fazem sobre os fornecedores.

São raríssimos os casos em que os contratantes se preocupam em conhecer a qualidade dos técnicos e oficinas dos fornecedores. Também não exigem os certificados de manutenção e comprovantes de aquisição e uso de peças originais. A atenção que é dada ao treinamento inicial dos operários quando recebem as máquinas também é deficiente. Em muitos casos, os operários que recebem o treinamento original não são aqueles que operam as máquinas durante o curso da obra.

Essas são algumas das razões que elevam os riscos e custos para os contratantes. E trata-se de um contrassenso, pois os custos de aluguel de plataformas aéreas são baixos quando comparados com os custos de investimento de uma obra ou projeto de manutenção. Além disso, uma plataforma parada (mesmo que não acidentada) custa muitas vezes o seu valor diário de aluguel quando se consideram os custos de equipes paradas ou perda de produção.

Processos relativamente simples e que são aplicados a vários outros tipos de equipamentos usados em obras ou projetos industriais são facilmente replicáveis ao processo de contratação e uso de plataformas, como por exemplo:

 

Ou seja, fechar a janela de riscos aos trabalhadores e de custos altíssimos às empresas depende de processos simples e da atenção e respeito profissional que o equipamento requer.

 

Arthur Lavieri é engenheiro e presidente da Solaris do Brasil.